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Sapateiros, costureiras e engraxates – empreendedores com raízes no passado.
O século é dos tênis, das grifes e dos shopping centers. No corre-corre dos dias atuais, sair para comprar tecido, passar horas na casa da costureira folheando revistas e tirar medidas, são tarefas que parecem não caber na agenda. O mesmo vale para o ato de levar os sapatos preferidos para consertar, retornando somente uma semana depois para pegar o produto.
As costureiras que passavam dias cosendo vestidos parecem ter ficado na memória das avós, quando os colégios exigiam uniformes com cortes e pregas perfeitos e sapatos lustrosos. Ainda hoje, mesmo nos grandes centros urbanos, berços do consumo de produtos industrializados, de acesso rápido e fácil, a costureira e o sapateiro conseguem resistir. Os jeans continuam sendo reformados e até os tênis podem ser consertados. Claro que em proporções menores às do tempo em que cada família tinha, além de um médico, uma costureira e um sapateiro de confiança.
Outra profissão que resiste à contemporaneidade é a de engraxate. Muitos tiveram e ainda têm a graxa e a escova como instrumentos de trabalho. Hoje, embora os tênis e as sandálias tenham reduzido a clientela, a figura do engraxate ainda faz parte do cenário das praças, das rodoviárias e dos aeroportos, demonstrando o empreendedorismo daqueles que limpam e lustram sapatos em locais públicos.
Se ontem uma passadinha no engraxate fazia parte da rotina de homens e rapazes apressados, hoje, o tempo passado com o engraxate, aliado a uma boa conversa ou ao ato de ler um jornal ou uma revista, pode representar um agradável momento.
Os clientes e seus sapateiros, costureiras e engraxates acabam virando grandes amigos, pois, não raro, a relação comercial vira amizade. Nesses casos, clientes e profissionais têm uma relação muito próxima, quase pessoal.
Sapateiros, engraxates e costureiras podem parecer personagens de um tempo que não volta mais, em que o mundo era menos pasteurizado e que palavras como shopping e estresse poderiam ser confundidos com nomes de remédio. O tempo passou, mas abrir mão desse tipo de serviço não é um bom negócio. Afinal, roupas bem cortadas e sapatos bem feitos, consertados e lustrados são coisas que nunca saem de moda.
Os Correios resguardam e registram com esta série de selos, profissões, ou ofícios que fazem parte do contexto histórico e sociocultural do povo brasileiro, identificando valores presentes na literatura, no cinema e no cotidiano das pessoas, sem ter perdido as particularidades de desenvolver relações de amizade com a comunidade, clientes e comerciantes. Estes “ofícios” representam expressivas formas de empreendedorismo e fonte de recursos para aqueles que escolheram essas antigas profissões para trabalhar de forma criativa e livre.
Elisabeth Vargas Socióloga
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