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Nesta emissão de selos postais é apresentada a importância de seis espécies de aves exuberantes, assim como a necessidade de preservar o seu ambiente natural, ao mesmo tempo em que registra o compromisso com a Exposição Filatélica Luso-Brasileira/Lubrapex, que vem sendo realizada de três em três anos, alternadamente, no Brasil e em Portugal, de expor peculiaridades da Filatelia brasileira, no contexto dos temas selecionados, numa significativa integração.
Galo-da-serra – Rupicola rupicola
Da família dos cotingídeos, pássaros grandes e vistosos que só existem nas Américas, esta é, certamente, uma das aves mais exuberantes, não só do Brasil, mas do mundo, com um perfil talvez só comparável às também famosas aves do paraíso. Um dos motivos, mas não o único, é a magnífica crista (daí o nome comum) em forma de meia-lua, composta por duas fileiras de penas eriçadas no centro da cabeça, desde o bico da ave até a nuca. Além disso, embora macho e fêmea tenham uma silhueta parecida, com a crista na fêmea sendo um pouco menor e sua coloração marrom escuro, o macho é dotado de uma cor vívida, que pode ir do laranja mais claro até um tom mais escuro e avermelhado. Completam essa incomum indumentária, penas pretas com faixas brancas e também penas charmosamente desalinhadas e longas nas asas, que formam um vistoso leque quando a ave se põe parada de asas abertas.
A área de ocorrência do galo-da-serra, que mede cerca de 30 centímetros, e pesa, geralmente pouco mais de 200 gramas abrange a região amazônica, noroeste do Brasil, nos Estados do Amapá, Roraima e Amazonas, e também as Guianas, Venezuela e Colômbia. Em todo esse território, o galo-da-serra desempenha a sua importante função ecológica de dispersor de sementes, ou seja, é um semeador da floresta.
Os predadores naturais, em um ambiente pouco perturbado, não põem em risco uma população ou espécie, porém, a intervenção humana pode ser danosa, em função da beleza de sua plumagem. Desde os tempos do Brasil colônia, as plumas de aves bonitas, como o galo-da-serra, passaram a ser usadas em maior escala por humanos, seja como moeda de troca, seja como produto para adorno dos mais variados ornamentos e vestimentas. Além disso, o tráfico de espécimes vivos continua sendo uma ameaça crescente, como também, a perda de habitat por desmatamento.
Bandeirinha – Chlorophonia cyanea
Com apenas 11 centímetros de tamanho, e 13 gramas de peso, esse pequeno passarinho impressiona pelo seu colorido. Apesar de ter outros nomes populares, como gaturamo-bandeira, bonito-do-campo, dependendo da região do Brasil, o nome de bandeirinha é a que mais resume sua característica mais notável: as cores da bandeira brasileira no macho adulto, em manchas bem definidas na plumagem. Embora haja mudanças nos tamanhos dessas manchas, dependendo da subespécie, a cabeça toda verde, o peito amarelo, e manchas azuis maiores ou menores no dorso, juntamente com um anel azul ao redor do olho, torna a espécie inconfundível. O nome científico também encerra essa característica, juntamente com a capacidade de cantar: “chloro” faz alusão à cor verde, “phonia”, ao som, ao canto; e “cyanea”, à cor azul. As fêmeas da espécie são predominantemente verdes, com o característico anel azul nos olhos.
A espécie, que só ocorre na América do Sul, tem várias subespécies separadas geograficamente (Venezuela, Equador, Colômbia, Bolívia), até o norte da Argentina. No Brasil, ocorre praticamente em todos os estados, na floresta amazônica, no cerrado e na mata atlântica, sendo mais rara nos estados do Sul. Vive aos pares ou em pequenos grupos, quase sempre nas copas das árvores mais altas do interior e das bordas das matas, ou em áreas abertas próximas, que tenham árvores grandes. Sua alimentação é composta principalmente de frutos pequenos.
O canto da bandeirinha é breve e pouco melodioso, não sendo o motivo para sua captura por traficantes. Porém, a beleza incomum da plumagem faz com que ela seja uma ave cobiçada unicamente para exibição. Arborizar quintais, praças e parques, com árvores fornecedoras de alimento e abrigo, é o modo mais efetivo de preservarmos esses maravilhosos pássaros, em liberdade.
Campainha-azul – Porphyrospiza caerulescens
Assim como outras aves popularmente chamadas de passarinhos, pelo seu tamanho diminuto, o campainha-azul tem apenas 13 centímetros de comprimento. Também chamado de azulinho-de-bico-de-ouro, se destaca mais pela exuberância de sua cor azul vibrante, presente por completo no macho adulto. Daí que parte de seu nome científico (caerulescens) significa “da cor do céu”, em latim. A fêmea tem cor predominantemente marrom, o que muitas vezes é vantajoso nas espécies em que só a fêmea choca os ovos em ninhos abertos, permanecendo camuflada para os predadores. Os juvenis, com coloração semelhante à fêmea, vão ganhando o tom azul à medida que se tornam maduros.
O campainha-azul é uma espécie típica do Cerrado, onde vive geralmente em ambiente aberto de gramíneas, arbustos e árvores baixas. Registrado fora do Brasil apenas no oeste da Bolívia. No Brasil, ocorre do Maranhão e sudeste do Pará ao Piauí, Tocantins, Bahia, oeste de Minas Gerais, e, no Centro-Oeste, em quase todos os estados, incluindo o norte do Mato Grosso do Sul.
Como seu habitat vem sendo convertido rapidamente em área agrícola, considera-se que a espécie está em declínio populacional, e por isso foi classificada na lista de espécies ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) como quase ameaçada.
Cardeal-de-topete – Paroaria coronata
São cinco os representantes do gênero Paroaria, todos com sua inconfundível plumagem tricolor, composta de cabeça vermelha, dorso do cinza ao preto, e peito branco, com pequenas variações no formato e tamanho das manchas. Popularmente, por conta da cabeça vermelha, todos são chamados de cardeal, o que muda de região para região. Outro nome comum a mais de uma das espécies é galo-de-campina, muito usado no Nordeste para o Paroaria dominicana. Porém, o que torna o cardeal Paroaria coronata único, é que ele tem uma característica que o distingue facilmente dos outros: seu topete vermelho quase sempre arrepiado, motivo do complemento do seu nome científico, que alude à aparência de seu penacho com uma coroa (corona, em latim). Por uma pequena diferença, é o maior representante do gênero, com até 19 centímetros de comprimento. Possui um canto bonito, de notas curtas, repetidas em sequência breve. Tem a capacidade de imitar o canto de outras aves, o que já foi registrado em cativeiro.
É a espécie mais meridional de cardeal brasileiro, mais comum no Rio Grande do Sul, estando também presente no Pantanal. Nos países vizinhos, ocorre na Bolívia, Paraguai, Uruguai e nordeste da Argentina. Vive em áreas de campo, com árvores esparsas ou arbustos, sozinho, em casais ou em pequenos bandos, indo com frequência ao solo para se alimentar de sementes de gramíneas, consumindo também pequenos frutos e insetos.
Por conta da beleza da plumagem e do canto, é uma ave bastante cobiçada e capturada, tendo sido uma das aves mais apreendidas com traficantes no Sul do Brasil. Por outro lado, como se reproduz bem em cativeiro, muitos criadores legalizados dispõem de exemplares para venda, o que pode reduzir o impacto do tráfico nas populações nativas.
Saíra-militar – Tangara cyanocephala
Esse pequeno e belo passarinho, ao mesmo modo que os outros do gênero Tangara, de porte pequeno, em torno de 13 centímetros, tem como principal característica sua plumagem de cores variadas. E, nesse caso, sua descrição é uma tarefa árdua. A roupagem mais bonita é a do macho adulto em condições de acasalamento: fronte preta, topo da cabeça do azul ao quase violeta, com uma faixa mais clara, turquesa, separando essas duas cores e contornando os olhos, manchinha azul na garganta, nas costas mais uma mancha preta, seguido de verde até a cauda, asas com penas bicolores em faixas verde e preta, com uma manchinha laranja nas coberteiras, ventre todo verde, e, a característica que o torna único, inconfundível, e realmente muito exuberante, mesmo sendo diminuto: uma área vermelho vívido dos lados do pescoço e na nuca, dando uma aparência de lenço. Por isso, a espécie também tem o nome comum de saíra-lenço.
É uma espécie comum nas florestas úmidas do Ceará até o Rio Grande do Sul, frequentando principalmente as bordas das matas. O bioma de ocorrência mais comum é a mata atlântica, mas sua área se estende em direção ao nordeste da Argentina e oeste do Paraguai, países onde é raro. Vive em pares ou pequenos grupos, às vezes misturados a outras espécies de saíras, se deslocando normalmente no alto das árvores.
Devido ao fato de ser uma espécie típica de matas úmidas, ambientes cada vez mais fragilizados e fragmentados, principalmente na mata atlântica do Nordeste e nos encraves de mata úmida do Ceará, a espécie pode se tornar ameaçada localmente. Isso tem importância principalmente quando se sabe que algumas subespécies são endêmicas de áreas relativamente pequenas e vulneráveis. A subespécie cearense Tangara cyanocephala cearensis, por exemplo, ocorre apenas nas matas úmidas da Serra do Baturité, tecnicamente denominada paisagem de exceção, isto é, uma ilha de mata úmida em meio à caatinga.
Getúlio Freitas
Analista Ambiental - CEMAVE – ICMBio
Cardeal-do-banhado – Amblyramphus holosericeus
O Cardeal-do-banhado, Amblyramphus holosericeus, é um pássaro da família Icteridae, da qual também fazem parte o chopim, o melro e o guaxe. Seu tamanho varia de 22 a 25 centímetros de comprimento e seu peso varia de 75 a 86 gramas. Chama bastante a atenção por causa de suas cores, com o adulto apresentando cabeça e peito vermelho alaranjado e corpo preto. Machos e fêmeas não apresentam diferenças de coloração. Já o indivíduo jovem é discreto, com plumagem cinza escuro uniforme e com poucas manchas avermelhadas na garganta e peito. Por causa de suas cores também recebe os nomes de Capitão ou Soldado.
Vive em ambientes aquáticos (pântanos, várzeas, canais e rios) com vegetação densa, onde constrói seu ninho utilizando vegetação seca. Gosta de pousar em locais expostos, como arbustos, galhos e mourões de cerca. É visto frequentemente solitário, dificilmente em bando. O vôo passa a impressão de que é executado com certa dificuldade, enquanto no solo apresenta uma postura ereta. O canto é bastante elaborado, como nas demais espécies da família.
Ocorre no nordeste da Argentina, Uruguai, Paraguai, norte e leste da Bolívia. No Brasil é encontrado no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul (Pantanal e alto rio Paraná), Mato Grosso (rio Paraguai) e Tocantins (Gurupi). Essa espécie não se encontra ameaçada de extinção, todavia, seus habitats vem sendo fortemente afetados por alterações provocadas pela atividade humana, como a construção de hidrelétricas, e a poluição e assoreamento de rios provocados pelo desflorestamento das margens.
Fernando Fávaro
Analista Ambiental - CEMAVE – ICMBio
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